Dermatite de contacto- prevenção e cuidados a ter

Dermatite de contacto- prevenção e cuidados a ter

Frequentemente após o contacto com algum agente irritante ficamos com a nossa pele ressentinda, ficando vermelha e com prurido (comichão), tal deve-se possivelmente a um episódio de dermatite de contacto, daí ser o nosso tema de hoje. Muitas pessoas, por exemplo, desenvoveram esta dermatite após uso constante de soluções alcoólicas para desinfentar as mãos no âmbito da pandemia de Covid-19 que estamos a atravessar.

A verdade é que quase todos teremos este tipo de reação, pelo menos, uma vez na vida, e a diversas substâncias. A dermatite de contacto refere-se a um grupo de alterações da pele no qual surge uma reação cutânea após o contacto direto com o agente causal. O termo dermatite é equivalente a eczema, o qual pode ser agudo (um único episódio), limitado ou não ao local do contacto com eritema, pápulas ou vesículas ou crónico (persistente) ob-servando-se neste caso sinais de cronicidade como o espessamento da pele, sendo quase sempre se acompanha por prurido.


Assim, a dermatite de contacto é a inflamação causada, como o nome indica, pelo contac-to direto com algumas substâncias. Por norma, desenvolve-se poucos minutos após a ex-posição e pode traduzir-se por:

  • Vermelhidão;
  • Comichão, por vezes, intensa;
  • Edema (inchaço);
  • Pele seca, gretada e a descamar;
  • Sensibilidade ao toque;
  • Pequenas borbulhas e/ou bolhas, que podem formar crostas.

  • Existem dois grandes tipos de dermatite de contacto, dependendo do mecanismo que a causa:

  • Irritativa ou traumática – É a mais comum e resulta do contacto repetido ou prolongado com substâncias que danificam a camada protetora da pele, deixando-a mais sensível. Po-de surgir em qualquer pessoa, sendo particularmente comum em profissões que envolvem o contacto frequente das mãos com detergentes e/ou outros produtos potencialmente agressivos (ex: enfermeiros, cabeleireiros e cozinheiros). O álcool etílico e alguns champôs e detergentes também têm potencial para despoletar esta reação;
  • Alérgica – por norma, ocorre após contacto com substâncias às quais a pessoa já tenha sido exposta. Este tipo de dermatite surge apenas em pessoas suscetíveis e, uma vez sen-sibilizadas pela substância, basta uma pequena quantidade para desencadear uma reação. Alguns exemplos de substâncias que podem despoletar este tipo de reação são o níquel (utilizado em joalharia e fivelas de cintos, por exemplo) e o formaldeído (utilizado em de-sinfetantes e roupas).

  • A melhor forma de gerir a dermatite de contacto é identificar e evitar o contacto com o que está a causar o problema. De modo a manter a pele protegida, nomeadamente a das mãos, utilize luvas protetoras sempre que tiver de manipular substâncias irritantes para a sua pele.

    Por vezes é necessário adicionar medidas terapêuticas como o uso de creme emoliente (creme hidratante) para restruturar a barreira cutânea, assim como medicação anti-inflamatória como por exemplo os corticosteróides.

    Caso o eczema persista, deve ser investigado, devendo a pessoa ser encaminhada para uma consulta de dermatologia para que seja realizada uma história clínica pormenorizada.

    Para qualquer dúvida ou esclarecimento estaremos ao seu dispor, não deixe de nos consul-tar!



    Artur Pinhão

    Abril 2020