Febre infantil – como atuar

Febre infantil – como atuar


A febre na infância é um dos sintomas mais comuns em pediatria e uma das queixas mais frequentes nos serviços de saúde, daí que seja o nosso tema de hoje. Apesar de ser um sinal de alarme, a verdade é que a febre por si só não causa nenhum mal ao organismo e, na maioria das vezes, não tem complicações graves associadas. 

A febre é, nada mais nada menos, que uma resposta fisiológica e imprescindível do organismo a um determinado agente agressor, como vírus, bactérias ou fungos. Trata-se, deste modo, de um mecanismo de defesa que, como alguns estudos sugerem, aumenta a taxa de sobrevivência e diminui a duração do episódio de doença, estimulando não só o sistema imunitário, como dificultando a reprodução microbiana.

Considera-se febre uma temperatura corporal acima do normal (temperatura retal >38ºC, oral ou timpânica (ouvido) >37,5ºC ou axilar >37,5ºC).

Sinais e sintomas:  A febre elevada poderá provocar irritabilidade ou sonolência, rubor facial, aumento da frequência cardíaca e respiratória e, em alguns casos, alucinações e até mesmo convulsões.

A convulsão febril é uma das grandes preocupações dos pais, mas felizmente estes casos são raros, atingindo menos de 4% das crianças entre os seis meses e os cinco anos.  As convulsões são, habitualmente, de curta duração e cessam sem necessidade de terapêutica.

Se tivermos uma criança que apresente febre, devemos:

  • Evitar roupas quentes
  • Manter a criança hidratada
  • Sempre que ocorra elevação da temperatura devem ser administrados antipiréticos, que têm como principal função aliviar o desconforto provocado pela febre
  • Em caso de febre muito alta, recomendam-se banhos de água tépida, ou compressas húmidas e mornas em crianças mais crescidas
  • Se a criança estiver a tomar e vomitar o xarope antipirético, 10 a 15 minutos após a toma, e se após 40-60 min., a temperatura continuar alta, pode dar-se novamente a dose, via oral. Pode optar pela via de administração retal, mas se a criança tiver diarreia, a via oral é a mais adequada
  • Se a febre não passar em 24-48h, a criança deve ir ao médico. Se apresentar sintomas como rigidez do pescoço, dor de cabeça intensa ou convulsão,vómitos ou diarreia persistente, dificuldades respiratórias, manchas, lactente com menos de 3 meses, deverá consultar o médico.

Caso se utilizem termómetros timpânicos é importante respeitar a técnica exata de leitura. Caso contrário, embora sejam à partida os mais fiáveis, são os mais sujeitos a erros devido a uma técnica de medição incorreta

A febre, embora não o pareça, na maior parte das vezes não é uma inimiga. O aumento da temperatura corporal significa que o organismo está a lutar contra a doença. Assim o mais importante em casos de febre é vigiar a criança e consultar o seu médico ou farmacêutico para definir uma estratégia adequada de ação, indicada para a situação específica da criança em causa.


Artur Pinhão

Janeiro 2019