Pediculose

Pediculose – Muito prevalente no regresso à escola

Hoje vamos falar num tema recorrente aquando do regresso às aulas – pediculose, os tão indesejáveis e aborrecidos piolhos.
A pediculose (infestação por piolhos) é uma das parasitoses mais frequentes no ser humano. Pode ser transmitida por contacto direto com cabelo de pessoas afetadas ou através do contacto com objetos ou materiais infestados. Segundo um estudo realizado em Portugal, atinge cerca de15% das crianças em idade escolar.
Os piolhos são parasitas que medem entre 3 e 4 mm e que se prendem ao cabelo graças aos ganchos que têm nas suas seis patas. Alimentam-se do sangue que extraem através de uma picada que produz comichão e reação alérgica.
A pediculose pode ser provocada por três espécies de piolhos: Pediculus humanus capitis, Pediculus humanus corporis e Phthirus pubis. O Pediculus humanus capitis vive habitualmente no couro cabeludo; o Pediculus humanus corporis alimenta-se no corpo mas habita também na roupa, estando frequentemente relacionado com condições de higiene precárias; e o Phthirus pubis infesta as regiões corporais pilosas, principalmente a região do púbis e, ocasionalmente, as sobrancelhas e as pestanas. O piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis) é o mais frequentemente, sobretudo nas crianças, mas pode ocorrer em qualquer idade.
O culpado é um pequeno parasita (2-3 mm de comprimento) conhecido geralmente por “piolho”, e que vive exclusivamente na cabeça do homem, alimentando-se de sangue. A fêmea deposita cada dia 8-10 ovos (chamados lêndeas), que são fixados firmemente no cabelo por meio de uma substância adesiva. Em 20 dias, de dentro destes ovos, sairão novos parasitas.
As lêndeas são colocadas nos fios de cabelo, especialmente na nuca, acima e atrás das orelhas, e fixadas de tal forma, que é difícil soltá-las.

 

Lêndia com piolho ainda por nascer

O piolho sobrevive apenas 1 ou 2 dias fora da cabeça das pessoas pois tem necessidade do seu calor e do seu sangue para sobreviver.

 

Contágio

Os piolhos são maioritariamente transmitidos através do contacto direto com cabelo de pessoas infestadas. A transmissão também pode ocorrer através de roupa, gorros, acessórios de cabelo, toalhas, pentes, almofadas ou bonecos de pelúcia que tenham estado em contacto com pessoas com piolhos.
Este parasita faz o ninho na cabeça, pode viver até 30 dias e, nesse tempo, põe mais de 150 ovos (lêndeas) que em três semanas se transformam em piolhos.

 

Deteção e diagnóstico

No momento da deteção, uma infestação média inclui muitas vezes 10 a 15 piolhos incubados e 20 a 30 lêndeas eclodidos.
Os piolhos e as suas lêndeas encontram-se quase exclusivamente no cabelo e couro cabeludo. Muitas vezes estes estão ao redor e atrás das orelhas e perto do pescoço, na parte de trás da cabeça. Muito raramente os piolhos e as lêndeas são encontrados nas pestanas ou sobrancelhas.

O uso de um pente de dentes finos ajuda a um diagnóstico mais preciso dos piolhos. As lêndeas encontram-se geralmente a cerca de 6 mm da raiz do cabelo. Se não vir piolhos vivos e as lêndeas estiverem a mais de 6 mm do couro cabeludo, provavelmente a infestação é antiga e não está ativa.
A pediculose manifesta-se inicialmente com um prurido intenso que pode levar, por vezes, ao aparecimento de arranhões e crostas, pois é quase impossível não coçar o couro cabeludo, podendo notar-se:
Sensação de picos e agulhas ou algo que se move no cabelo;
Comichão excessiva geralmente causada por uma reação alérgica às picadas dos piolhos;
Irritabilidade e dificuldade em dormir, pois eles são mais ativos no escuro;
Ferimentos na cabeça devido à comichão, que podem infectar caso a situação não seja tratada a tempo.
Desde o início da parasitose até surgirem os sintomas, habitualmente, decorrem duas semanas, estando nessa altura a infestação bem estabelecida. As queixas mais frequentes são a comichão e lesões de coceira. Indiretamente pode ocorrer perturbações como desatenção e perturbações do sono devido ao desconforto físico provocado pela própria comichão. 
Na pediculose não tratada pode ocorrer a infeção da pele por bactérias (por exemplo, por Staphylococcus aureus e/ou Streptococcus pyogenes), ao nível das lesões de coceira. 
Adicionalmente a pediculose causa desconforto psicológico, dada a conotação negativa e desconforto social, resultante do potencial absentismo escolar e laboral.
Também podem estar presentes só ovos (chamados lêndeas) que, se vivos, não estarão a mais de 5-10 mm de distancia da raiz do cabelo, parecem-se com pequenas “conchas” brancas ou cinzentas pegadas tão fortemente aos fios de cabelo que se torna difícil removê-las.

 

Prevenção

A pediculose pode ser prevenida:

Evitando o contacto direto com cabelo de pessoas infestadas e com objetos ou materiais possivelmente infestados;
Tratar pessoas com pediculose e contactos próximos com infestação ativa. Aqueles que partilham a mesma cama, também deverão efetuar tratamento mesmo sem infestação;
Proceder às medidas gerais em relação aos objetos ou materiais possivelmente infestados
Em crianças que aparecem frequentemente com piolhos, pode ser útil manter os cabelos curtos.

 

Tratamento

O tratamento da pediculose é feito com recurso a uma loção ou shampoo 
pediculicida para matar os piolhos e um pente especial para eliminar as
lêndeas. Para além do tratamento farmacológico, outras medidas complementares são importantes:
Lavar e secar toda a roupa utilizada nos 2 dias anteriores ao início do tratamento, a temperatura superior a 60ºC ou limpar a seco ou manter a roupa em sacos fechados durante 2 semanas.
Mergulhar pentes e escovas em água quente (>60ºC) durante 5 a 10 minutos, mesmo que não tenha parasitas visíveis.
Aspirar o chão ou mobília, particularmente os locais onde a pessoa com piolhos se sentou ou deitou.

 

Conclusão

A pediculose da cabeça é uma das parasitoses mais frequentes. 
É facilmente diagnosticada e tratada. O diagnóstico precoce é muito importante, podendo evitar o contágio dos contactos diretos e o surgimento de surtos.

 

Piolho visto ao microscópio

Para esclarecer as suas dúvidas e para se aconselhar sobre o que deve fazer caso se depare com este problema, não deixe de consultar o seu Farmacêutico.

 

Artur Pinhão
Janeiro 2018